grafitis na madrugada













por alternativas ecológicas

sábado à noite


...ficamos em casa, com


Pedro::Diana


Thomas Bakk

presépio ao som de janeiras





















- Pai, porque é que o menino Jesus é um cifrão?

- Porque o nosso deus é o dinheiro.

- E porque é que a Nossa senhora é o FMI?

- Porque o Nosso senhor também é o FMI.

- O que é o FMI?

- É o Fundo Monetário Internacional. Empresta dinheiro aos países pobres.

- É bom?

- Claro que é bom. Empresta e depois cobra juros que eles não podem pagar.

- E isso é bom?

- Muito bom. Como não podem pagar, ficam toda a vida a dever, trabalham que se fartam só para pagar os juros.

- Mas assim ficam sempre pobres...

- Claro, cada vez devem mais. Se não houvesse pobres, já viste onde isto ia parar? Como é que depois havia ricos?

- Pai, porque é que o S. José é o Banco Mundial?

- Porque o S. José é o pai adoptivo do menino Jesus.

- Mas o menino Jesus é o dinheiro...

- Pois é, e o Banco Mundial é quem toma conta dele, Sabes, há sítios, países que ficam muito longe daqui, onde vivem pessoas que não conhecem o menino Jesus. São pagãos que adoram falsos deuses, como as árvores ou a natureza. O Banco Mundial é como os missionários que vão para esses países converter os gentios, para, depois, podermos fazer todos parte duma grande família que é a do capitalismo global.

- Pai, porque é que os Reis Magos são tão feios?

- Olha, não devem ter arranjado mais ninguém.

- E porque é que um deles está acorrentado?

- Porque é preto.

- O que é um preto?

- É uma pessoa cujos pais eram das ex-colónias.

- O que são as ex-colónias?

- As ex-colónias são o nosso orgulho nacional. Não te ensinam nada na escola? Foi o período áureo da nossa história: matamos milhões de pretos. Alguns morreram mesmo lá, outros foram levados para o Brasil ou trazidos para aqui, mas era um desperdício: parece que a maior parte morria pelo caminho...

- E o que é o KKK?

- É o Ku Klux Klan, são os que não gostam de pretos.

- E porque é que não se vê a cara?

- Porque o KKK é anónimo. É assim como se fossemos nós todos.

- Pai, porque é que a Igreja é uma vaca?

- Porque no presépio não há bois.

- E porque é que o Estado é um burro?

- Porque o Estado não pensa. Aplica as políticas do FMI, do Banco Mundial, do G8, do Millenium... Faz o que lhe dizem.

- Pai, e tu votaste em quem? No Millenium?

- Vá, acaba mas é de comer o hamburguer, que temos que ir embora para casa.


Janeiras de Leça, da Lavra e doutros lados (*)
Música das “Janeiras de Leça

1
Inda agora aqui cheguei
Aqui a esta paragem
Vou ter que gramar ainda
Mais’um’ hora de viagem

2
Que as linhas que eles fizeram
Estão muito baralhadas
Tenho transbordos três vezes
Co’as novas zonas criadas

3
Um ano novo de “cortes”
Vem aí – já se adivinha
Mais aumentos nos transportes
P’ra nos lixar a vidinha

4
Sem abrigos nas paragens
Vamos é ficar doentes
Não vêm nestas viagens
Ministros e presidentes

5
Nem gestores nem deputados
Autocarros são pró povo
Vamos voltar a pará-los
Queremos um sistema novo

6
Queremos um sistema novo
De transportes e não só
Que a gente não é grão
Para triturar na mó…


(*) A incluir no cancioneiro "Canções para Jornadas Sociais”, que está a ser preparado pelo Terra Viva. terraviva.weblog.com.pt

todos à grande masturbação nacional!

NEM SABEMOS

O QUE DIZ

O TRATADO DE LISBOA


MAS É NOSSO!


O TRATADO DE LISBOA

TIRA-NOS MAIS

LIBERDADES CIVIS


MAS É NOSSO!


O TRATADO DE LISBOA

PROMOVE AINDA MAIS

A PRECARIEDADE


MAS É NOSSO!


O TRATADO DE LISBOA

TIRA-NOS MAIS

DIREITOS LABORAIS


MAS É NOSSO!

Desta vez, o Tratado não é de Maastricht nem de Nice. É de Lisboa. Português. Nosso! Nem interessa que nos roube liberdades civis e direitos laborais. É NOSSO! Masturbemo-nos, pois. Com ele e com a maior árvore de natal da Europa.

um grito irónico

A manifestação de empresários começou na Batalha e calcorreou Sta. Catarina até Guedes de Azevedo, na tarde de sábado.

Provocou embaraço e sorrisos entre os transeuntes. Nem todos quiseram receber o Manifesto P.I.D.E., distribuído na ocasião.


SÊ SEXY

FLEXÍVEL

PORTA-TE BEM

NÓS GANHAMOS MAIS


COMPETE


CONSOME


NÓS GANHAMOS MAIS

Manifesto P.I.D.E.


Partido Independente pelo Desenvolvimento do Empresariado


Queremos que sejas uma pessoa bonita, atraente, sexy, simpática, bem disposta, sorridente, bem-educada, cheirosa, com as medidas certas nos sítios certos, para que possas satisfazer ao máximo os gostos dos nossos clientes.


Queremos que sejas barata, que exijas o menos possível e dês o máximo possível, ou melhor que não exijas, que te adaptes, que sejas flexível, que estejas lá sempre que precisarmos, que estejas lá sempre, que estejas disposta a mudar de funções, de local, de empresa, de profissão e de tudo o que nos apeteça, porque sim, porque sabemos o que é melhor para ti, coisa que tu não sabes.


Queremos que te portes bem, que não desestabilizes, que nem sequer sintas razões para o fazer, que não te atrevas nem sequer a sentir isso (se estiveres muito, muito, muito, muito, muito, indignado…ok….podes votar no Bloco).


Queremos que arrisques, que sejas dinâmico, que tenhas novas ideias, que proponhas, sempre em competição contra a pessoa que está mais próxima, que arranques unhas e dentes, que mordas e pises. Tu ganhas. Nós, obviamente, ganhamos mais.


Queremos que consumas, que sejas feliz com o que te oferecemos (afinal, foste tu que o produziste!), que te endivides, que tenhas mil e um pacotes de créditos – desde o da habitação, ao das férias em Palma de Maiorca – e que os pagues todos. É só trabalhar ainda mais.


Apesar disto tudo, queremos que tenhas muitos filhos. Potenciais recursos humanos, excelsos consumidores.


Queremos que gozes dos divertimentos que te oferecemos, dos carros e dos aviões, às peças de teatro baseadas em filmes que já viste, e que por sua vez se baseiam nas estória mais contadas, repetidas e entediantes da história. Com um lazer destes, trabalhar até dá gosto.


Finalmente, queremos que as nossas esperanças, sonhos e objectivos sejam as tuas esperanças, sonhos e objectivos. Nada mais do que isso. Nada menos do que isso. Confia em nós, que nós certamente confiaremos na pessoa que estamos a fazer de ti.



Beijinhos, um bom Natal e boas compras.

inquérito sobre ogm







- ataque à biodiversidade

- legumes sem sabor | fruta brilhante | sem bicho | sem vida | deixa a natureza decidir o que comes | transgénico cresce mas não amadurece













- é negativo!

- substâncias que ficam nos alimentos que depois de ingeridos afectam a saúde dos seres humanos

- matar o fruto na semente | nem Deus se lembrava de fazer seres à medida. A própria terra eliminará o homem, se ele alterar os ecossistemas!


- medicamentos | fruta | bonitas | milho | perigo público

- transformar o mundo em prol da ganância! Eu não quero financiar

- ousados

- é preocupante alterar os ciclos da natureza

- perigo para a saúde | cereais | milho

- transgénicos, por opção não!


- sou contra mas na verdade nem sei o que são | não sei

- crítica da razão transgénica | crítica da ração higiénica | crítica da poção eugénica | crítica da porção afásica | crítica da canção abstémia












- sobre transgénicos: o que me faz recear os transgénicos é a sua génese: a motivação do lucro de algumas multinacionais que se sobrepõe a todas as considerações sobre a nossa herança genética e as necessidades dos povos do mundo.





- pá… acho que não deviam fazer isso

- incógnita | peligro | artificial | débil | a cortoplazo | cuidado | mutante | contaminação | prepotente ¡ patentes ¡ anti-Natureza | contra-natura | bioquímica avançada ! domínio da vida | veneno | trinaranjus








- os alimentos geneticamente modificados são de certa forma como um enorme bolo envenenado. Muito bonito e apetitoso mas que pode causar sérios prejuízos para os seres vivos. OGM = veneno






- sei o que é, mas não estou informada até que ponto poderão, ou não, ser prejudiciais à saúde.


- precisamos de trans-formadore/as sociais (nós todos!) transgénicos (e transgénios) Não!


- ee ii !! não percebo nada disso…















- soja | milho | cereais | medicamentos | falso

- os transgénicos agrícolas são registos comerciais que vão impedir a biodiversidade e a agricultura livre

porquê comprar se pode reutilizar?











A loja livre apanhou de surpresa quem percorria St. Catarina ao fim da manhã de sábado, 15 dezembro. Poucos ficaram indiferentes.
















Uns quase fugiam, desconfiados.


















Outros perguntavam: Posso mesmo pegar? A sério?


E levaram livros, roupa, adereços, utensílios de cozinha.





Ofereceram-se também abraços grátis.







Houve bailarico espontâneo.




































E um inquérito sobre organismos geneticamente manipulados.

www.gaia.org.pt

contra os falsos recibos verdes





Grafiti numa ruína na rua do Corpo da Guarda, junto à estação de S. Bento, no Porto.

Contra a mentira que suporta o pagamento do trabalho a tempo inteiro com recibos verdes.

phelgo.com/recibosverdes



Primeira intervenção do primeiro encontro da galinha, depois do jantar e conversa de recepção na CasaViva.

14 dezembro 2007, 6ª feira à noite.

convite

Para contrariarmos a esperteza da raposa no galinheiro e não ficarmos cada um a seu canto a esgravatar terra


Às vezes acorda-se sorridente, bem disposto, radioso. Noutras manhãs, tudo é cinzento, triste, irritante. A malta da CasaViva também experimenta estes dois acordares e toda a variedade de outros amanheceres que estão entre um extremo e o outro. Mas incomodamo-nos sempre. Todos os dias.

Sempre que paramos este permanente bulir que nos ensinaram que é o verdadeiro viver. Nesses momentos, ficamos frequentemente cabreados. Existiriam, decerto, formas mais eruditas de colocar a questão, mas o que está dito dito está e pareceu-nos mais simples fazer este acrescento do que procurar um sinónimo para uma palavra cuja abrangência de conteúdo só é permitida por ter a sua origem na sabedoria popular.


Chateia-nos viver num planeta com tanto para partilhar e que apenas é explorado em proveito da espécie dominante, tornando a usurpação e o abuso nos conceitos por onde se começa a definição de ser humano.


Aborrece-nos que nos tomem por parvos quando nos tiram direitos e nos dizem que é para nosso bem, como se os direitos que nos tiram se evaporassem e não fossem, como dizia Lavoisier, apenas transformados em direitos de outros.

Apoquenta-nos que nos controlem, nos vigiem, nos fichem, nos transformem em conteúdos de bases de dados, nos gravem, nos chantageiem, nos cortem o direito a contestar, nos façam a todos bufos e polícias.


Indigna-nos que tudo seja mercadoria. Negociável, transaccionável, passível de ser transformado em lucro.


Não pode ser.


O capitalismo, já todos o sabemos, é apenas esta liberdade da raposa no galinheiro. Também não é segredo que a força do predador aumenta na proporção directa da desunião entre as presas. No entanto, mesmo possuindo o diagnóstico, nunca tratamos da maleita. E a responsabilidade de tentar a aproximação entre todos os que acreditam numa mudança organizacional radical é nossa, dos suficientemente vivos para darem umas bicadas na besta, de forma a que, de dispersas e curáveis, se tornem mais eficazes, provoquem gangrenas e acelerem a morte do carcereiro. De outro modo, continuaremos cada um no seu canto, a esgravatar terra como quem se deixa paralisar pelo medo, e a sair esporadicamente, aplicar uma bicada e recolher.


Já houve várias tentativas de união de esforços. Redundaram quase sempre em grandes exercícios de retórica sobre a maior validade da minha forma de luta em relação à tua. Na melhor das hipóteses, acabaram numa lista electrónica de discussão também electrónica que se foi silenciando com o tempo.


Mas a desistência não pode fazer parte do vocabulário de nenhum de nós. Se a coisa não tem funcionado, talvez seja hora de procurar métodos diferentes para a fazer progredir. E, a nós, parece-nos que não é na conversa formal que a união verdadeira cresce. É nas acções que nos sentimos mais próximos. É em ambientes mais descontraídos que nos sentimos mais preparados para falar uns com os outros. É na rua e na festa que se criam laços e se constroem afinidades, onde se forjam verdadeiras redes de interesses e participação.


Queremos, portanto, convidar-vos para que apareçam na sexta-feira, dia 14 de Dezembro, e que só saiam daqui na segunda, dia 17. Para esses dias, pensamos num programa de festas (1) que será próximo do seguinte:


Sexta, 14 de Dezembro
19h00 – 22h00 – Concertos / Festa
22h30 – Jantar
23h00 – Apresentação dos colectivos presentes (2)
Conversas


Sábado, 15 de Dezembro
09h00 – Pequeno-almoço, onde se combinarão as acções do dia
10h00 - ... - Acções (3)
19h00 - 20h00 – Concertos / Festa
20h30 – Jantar + Balanço do dia


Domingo, 16 de Dezembro
10h00 – Pequeno-almoço, onde se combinarão as acções do dia
11h00 - ... - Acções (3)
19h00 – Assembleia final e marcação de próxima jornada (4)



(1) O programa está longe de estar finalizado. As horas são meramente indicativas.


(2) Para não ser maçador, achamos que o melhor que há a fazer é cada colectivo apresentar-se, caso o queira, em formato imagem. Se assim for, é importante que nos façam chegar essa apresentação pelo menos uma semana antes do evento (até 9 de Dezembro). A ideia é, depois, discutirmos ao sabor do que a visualização das imagens nos fizer passar pela cabeça.


(3) A ideia são acções que impliquem pouca gente e pouca preparação no momento. Dessa forma, será possível apresentá-las ao pequeno-almoço e sair para a rua para as colocar em prática uma hora depois. Nós teremos meia dúzia de acções pensadas. Mas o ideal seria aparecerem mais, desde que tenham condições para se realizarem. Queremos dizer que não vale a pena, por exemplo, propor uma marcha com pancartas em punho se não se tiverem já as pancartas feitas. Cada pessoa ou colectivo apresentará uma ideia e dirá quantas pessoas são necessárias. Depois, cada um se juntará ao grupo que quiser, se houver gente e ideias suficientes. Se não houver, o mesmo grupo poderá tratar de mais do que uma acção.


(4) Era importante que toda a gente pudesse ficar até domingo à noite, porque a assembleia final, onde se poderão discutir formas de nos tornarmos mais presentes nas coisas que cada um dos outros organiza, e a marcação de uma próxima jornada de acções são coisas que precisam de toda a gente.


Nota final – Nestes dias era importante que a CasaViva fosse autogerida por todos os participantes. Portanto, que ninguém estranhe que se retire uns minutos de cada dia para organizar as várias coisas de que a casa precise(quem cozinhe, quem limpe, quem lave, quem...)


LEMBRETE aqui